Vidas
Um grito na escuridão
Um carro na contra mão
Uma vida que se apaga
Um sonho, uma ilusão
Perdidos na multidão
Que apressada não vê nada!
O chorar duma criança
Pobre, descalça, sem esperança
O bater dum coração
Um corpo a definhar
Mais uma noite a chegar
E o medo da escuridão!
Um brinde num qualquer bar
O dinheiro a tilintar
Uma dança e o prazer
Um vagabundo que passa
E que manda uma chalaça
Um estômago a carcomer!
Um barco que chega ao cais
O sorriso do arrais
Um abraço na mulher
O chilreio do passarinho
Que é livre lá no seu ninho
E parte quando quiser!
Um bom dia coração
Que teimas em dizer, não!
Quando te mandam partir
Um mundo quase irreal
Onde (tanto) impera o mal
E nos obriga a sorrir!
A solidão, o cansaço
Uma manhã, um bagaço
Um adormecer, assim…
Um olhar sem direcção
O carro na contra mão
Vidas que chegam ao fim!
